sábado, 6 de novembro de 2010

CAÇA A PEDRINHO

Eis um rascunho de poema! Não o queiram cassar! Ou caçar!


CAÇA A PEDRINHO

Antigamente, caçavam-se tigres e elefantes.
Hoje, cassam-se falas distraídas no silêncio
das cavernas em que se escondem letras
e seus mistérios gravados nos hieróglifos.

Caçam também bruxas e seus vôos vassoura
perdidos na memória menina dos crepúsculos
avós sentados à beira do tempo com suas ruas
de silêncio e faíscas a trepidarem alimárias.

Cassam, ainda, livros, pois o povo lê demais
e pode descobrir idéias torcidas pelos olhos
de alguma coruja ou de algum tatu
enfurnado nos buracos do discurso.

Cassam até o imaginário de Pedrinho
que vivia sítios e inocências de árvores
pingando verde e pintando manhãs e rios
que os anos e o siso não trazem mais.

Houve mesmo um czar naturalista que caçava
borboletas e andorinhas. Quando lhe disseram
se cassam os humanos e suas criaturas de palavras,
ficou muito espantado e achou uma barbaridade.

Refúgio do Poeta, 6-11-2010

1 comentários:

  1. Linda crônica! Parabéns pela criatividade e sensibilidade!Abraço!

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